Chamou-se
coronelismo ao domínio político exercido pelos “coronéis”, grandes
proprietários e chefes políticos locais, principalmente no meio rural
brasileiro, mas também em áreas urbanas.
Foi
no período compreendido entre 1889 e 1930 que se deu o equilíbrio precário
gerado pelas tentativas do Estado federalista de processar a incorporação, num
sistema nacional de poder, dos donos de terra que ainda tinham em sua força
econômica e no controle social sobre a população rural os elementos capazes de
afetar a estabilidade da nova República.
O
termo coronelismo foi criado pelo jurista Victor Nunes Leal, em 1948, em sua
obra “Coronelismo, Enxada e Voto”. Origina-se de “coronel”, título militar, da
época do Império, dado a uma pessoa influente local para chefiar a Guarda
Nacional. Com o tempo, a patente de coronel deixou de designar um posto militar
para se estender aos chefes políticos regionais e aos grandes proprietários de
terra que, em grande maioria, mantinham forças paramilitares.
Para
Vítor Nunes, o coronelismo surge na confluência de um fato político e de uma
tendência econômica, a saber, a constituição dos governos estaduais como
importantes unidades de decisão política e a decadência socioeconômica dos
senhores rurais. Emerge, portanto, em momento de enfraquecimento do mandonismo
e de expansão do poder estatal. Daí vem o compromisso em que o Estado entra
emprestando ao coronel seu poder e prestígio, e o coronel comparece com os
votos necessários à manutenção da política do governador.
Figura
respeitada e temida no interior do país, o coronel tinha à sua volta numerosos
dependentes, como empregados, trabalhadores da vizinhança e moradores da cidade
(pequenos comerciantes, delegado, padre e outros). Estabelecia-se entre
essa clientela e o coronel uma troca de favores. O coronel
conseguia emprego, nomeações, proteção contra a ação da Justiça e contra
inimigos. Em troca, o coronel exigia da “sua gente” fidelidade total,
especialmente nas eleições, quando todos deveriam votar nos candidatos indicados
por ele.
A
clientela do coronel constituía, assim, o que foi chamado de “curral eleitoral”
e o voto controlado pelo coronel ficou conhecido como “voto de cabresto”. Os
coronéis garantiam votos nos municípios aos presidentes de estado
(governadores) em troca de apoio e verbas. Quanto maior o “curral eleitoral”,
maior era o prestígio do coronel junto ao governo estadual.
No
coronelismo, o político misturava-se ao econômico, embora não seja aparente em
um primeiro momento. Não é preciso demonstrar, por exemplo, que as tarefas de
um delegado de polícia ou de um coletor de impostos têm tudo a ver com a
sustentação dos interesses econômicos dos donos de terra. A função do delegado
está estreitamente ligada ao controle da mão-de-obra e à competição com
fazendeiros rivais. O coletor, de seu lado, pode por sua ação, ou inação,
afetar diretamente a margem de lucros dos que estão dentro de sua jurisdição.
Até mesmo a professora era importante para manter submissa a população rural.
Ignorar este aspecto dos cargos públicos é que seria separar artificialmente o
político do econômico. Como já foi dito, no coronelismo no sentido mais restrito,
quando se tratava de cargos públicos o aspecto de dominação, de controle, era
mais importante do que o de empreguismo.
A
Revolução de 1930 veio desequilibrar a situação em favor do Estado. O
coronelismo teve sua morte simbólica com a prisão dos coronéis baianos em 1930.
Com a queda de Flores da Cunha e o advento do Estado Novo, ambos em 1937,
pode-se dizer que o coronelismo como sistema estava morto, restando apenas
sobrevivências isoladas, tornadas objetos mais de curiosidade histórica do que
de relevância política.
Baseado
em: CARVALHO, José Murilo de. Coronelismo. Disponível em https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo
Acesso em 12-04-2026.
DOMINGUES,
Joelza Ester. Coronelismo. Studhistória.
Disponível em https://studhistoria.com.br/qq-isso/coronelismo/
Acesso em 12-04-2026
Fundamental
para a construção do conceito: o coronelismo tem dois polos: o Estado e o
coronel. Relacione-os.