16.9.19

Maias - Fonte 01

Jogo de bola maia

Os povos da Mesoamérica, inclusive os maias, jogavam um jogo que ficou conhecido como “bola maia”, também chamado de Pok Ta Pok. O jogo é praticado, segundo os achados arqueológicos, pelo menos desde 1400 aC. O jogo era disputado entre dois times com uma bola com um núcleo de pedra revestida de borracha. O objetivo do jogo era acertar a bola por um aro, semelhante ao basquete. Os jogadores só podiam utilizar o antebraço, as coxas e cintura para tocar a bola. O número de jogadores e as regras do jogo variam de cidade para cidade e de período para período. Vestígios arqueológicos indicam que o jogo tinha caráter ritualístico e que alguns jogadores eram sacrificados após os jogos. Até hoje os descendentes de maias, que ainda vivem na América Central, disputam um jogo com bola de borracha chamado Ulama, parecido com o antigo jogo.

Adaptado de Museu Britânico, The mesoamerican ballgame, disponível em https://www.metmuseum.org/toah/hd/mball/hd_mball.htm​ Acesso em: 21 de janeiro de 2019


Aro de pedra no campo da antiga cidade maia de Chichen Itza.

Astecas - Fonte 03


Página 37 do Códice Mendoza (1542). O códice foi feito pelos indígenas a mando dos espanhóis. A página 37 mostra os impostos que uma região, composta de 14 povoados [no lado esquerdo e na parte inferior da página] deveria pagar a Tenochtitlan, capital asteca. O símbolo acima de alguns objetos, que se parece uma pena, representa o número 400. O símbolo que se assemelha a uma bandeira, representa o número 20.



Perguntas norteadoras da apresentação
O que é mostrado na fonte?
Quais produtos eram ofertados como impostos aos astecas?
Por que os espanhóis ordenaram que os astecas produzissem esta página?
As cidades que deveriam pagar o imposto gostavam dos astecas?

Astecas - Fonte 05


Esta ilustração da segunda seção mostra (à esquerda) um templo ou pirâmide encimado pelas imagens de dois deuses, ladeados por mexicanos nativos. ​(...) Huitzilopochtli, cujo nome significa "beija-flor azul à esquerda", era o deus asteca do sol e da guerra. A ​xiuhcoatl (serpente turquesa ou de fogo) era sua arma mística. Tlaloc, o deus da chuva e da agricultura, era de origem pré-asteca, ou tolteca. A ​coatepantli (parede feita de serpentes esculpidas) normalmente cerca templos astecas. O tzompantli (altar) guardava os crânios das vítimas de sacrifícios. O grande templo de Tenochtitlan foi encimado por dois santuários: o da esquerda, dedicado a Tlaloc e o da direita a Huitzilopochtli​. Códice Tovar - séc. XVI.

Perguntas norteadoras da apresentação
O que é apresentado na imagem e no texto?
Como era a religião asteca? Era monoteísta ou politeísta?
Quais os principais deuses astecas?
O que é o tzompantli? 

Astecas - Fonte 02


Esta ilustração da segunda seção retrata a batalha de Azcapotzalco. (...) Azcapotzalco, capital dos tepanecas no lago Texcoco, foi o local de uma batalha em 1430 entre Itzcóatl, o quarto imperador asteca (reinou entre 1427 e 1440, aliado a Netzahualcoyotl, um senhor texcocano) e Maxtla (filho de um senhor tepaneca a quem os astecas tinham servido), que havia orquestrado o assassinato do imperador anterior. Após a derrota de Maxtla, as três cidades de Tenochtitlán, Texcoco e Tlacopan formaram o novo império asteca da Tríplice Aliança. Códice Tovar - séc. XVI.

Perguntas norteadoras das apresentações
O que é apresentado nas fontes?
Quais armas aparecem na fonte iconográfica?
O que é a tríplice aliança?

Astecas - Fonte 04


Um sacerdote desconhecido segurando uma lança coordena o sacrifício de um homem cujo coração é removido por um assistente (...) A oferta de coração da vítima aos deuses satisfazia a crença asteca de que o sol se levantaria novamente alimentado pelos corações dos homens. Códice Tovar - séc. XVI.

Perguntas norteadoras das apresentações
O que é apresentado nas fontes?
O que ocorre na cena apresentada?
Por que os astecas faziam sacrifícios humanos?

Astecas - Fonte 01


Esta ilustração da segunda seção retrata a criação de Tenochtitlan (atual Cidade do México). Uma águia é mostrada devorando um pássaro no alto de um cacto com flores [Para os astecas, esta cena profetizava o local para fundação de sua capital]. O cacto cresce a partir de uma pedra no meio de um lago. Pegadas dos mexicanos são mostradas se aproximando da base do cacto. À direita está Tenoch (conhecido por seu glifo de um cacto com flores), que liderou os astecas para Tenochtitlán. Na esquerda está Tochtzin, ou Mexitzin (conhecido por seu glifo de um coelho), que veio de Calpan (conhecido pelo glifo de uma casa com uma bandeira), co-regente de Tenoch. Os dois governantes sentam em tronos de vime. Códice Tovar - sec. XVI.

Perguntas norteadoras das apresentações
O que é apresentado nas fontes?
Qual a relação destas fontes com a bandeira mexicana?
O que o cacto indica sobre a região em que os astecas viviam?

2.9.19

O que é ser indígena no Brasil hoje?

O que é ser indígena no Brasil hoje? 

“Ser indígena hoje no Brasil é não visualizar um futuro de curto prazo para termos um pouco mais de paz e ter a garantia dos nossos direitos em relação à concretização das terras demarcadas. Ser indígena, hoje, é saber que cada manhã vai ser de luta, persistência e coragem” 
(Giselda Pires de Lima da etnia Guarani, professora de Ensino Fundamental, 36 anos)

“Hoje, ser indígena, para nós jovens acadêmicos, é trazer diversos conhecimentos tradicionais do nosso povo, para que as sociedades não indígenas tenham conhecimento das distintas realidades milenares que os povos que trazem consigo. 
A escrita não é a mesma coisa que a fala, então para nós é importante usar audiovisual, celular. Meu pai está lá em Atalaia do Norte, como vou me comunicar com ele? Como vou ter informações, se eu estou no mundo na sociedade não indígena? As pessoas que pensam que o índio tem que viver só no mato querem acabar com nossa cultura. 
A realidade se transforma. E o povo não indígena muitas vezes não percebe que também incorporou nosso modo de falar, nossos costumes, nossa forma de alimentação. A sociedade não indígena vivencia nosso jeito de ser todo dia” 
(Nelly Duarte da etnia Marubo, doutoranda no Museu Nacional-UFRJ, 35 anos)

“O índio brasileiro hoje tem que ter orgulho de suas raízes e ter consciência do passado. Renovar seus conhecimentos e acima de tudo saber lidar com o mundo atual. 
Muitos não índios ainda têm uma visão atrasada em relação ao indígena. Mas eles esquecem que também somos seres humanos, que estamos sempre em mutação e seguindo o ritmo da vida e do universo. 
Várias coisas nossas passam também para a sociedade não indígena. A terra não foi descoberta sem indígena” 
(Ysani Kalapalo da etnia Awati e Kalapalo, ativista e empreendora social, 26 anos)


Por que o senso comum nega aos indígenas sua identidade quando eles incorporam hábitos e tecnologias não indígenas ao seu dia a dia? 


O senso comum desconhece a noção de cultura, que é um processo contínuo de transformação. Os povos indígenas sempre incorporaram hábitos e tecnologias seja uns dos outros, seja de sociedades vizinhas como os Incas, com os quais algumas etnias da Amazônia ocidental estabeleciam contato antes da invasão dos europeus. 
Toda cultura é por definição aculturada, isto é, resultado de um processo contínuo de apropriação de conhecimentos e práticas alheios. O senso comum pode até se dar conta de que tal processo acontece com a sociedade brasileira, que é mais brasileira quanto mais incorpora hábitos orientais, europeus ou africanos. Mas não quando se trata das sociedades indígenas. A ótica colonialista corrente imagina que índios são espécimes de museus, que devem permanecer sempre congelados para, quem sabe, merecerem os seus direitos. Esquece-se assim de que os índios são pessoas reais, dotadas de tradições dinâmicas que, assim como outras tantas, são sempre traduções. 
(PEDRO CESARINO)

 
O "senso comum" - que expressa os valores da sociedade dita "moderna" - precisa manter os índios no passado. Sempre foi assim. Os índios são parte da pré-história do Brasil. Esse foi o jeito que o Ocidente encontrou para "amar" os índios. [...] Índio "bom" é o índio suficientemente distante - no tempo, mas também no espaço. [...]
As culturas se transformam, são inventivas. Mas a maneira como cada uma se transforma depende sempre de um estilo particular. A ideia de que é um destino desejável a ruptura radical ou a adesão a um sistema-mundo homogêneo não é algo abraçado por todas as sociedades. 
Os índios nos ensinam, entre outras tantas coisas, que é possível coexistir com os não índios sem abrir mão de modos de ser específicos, que no mais das vezes se chocam com a ética do neoliberalismo. O problema, claro, é ao mesmo tempo conceitual e político. Pois exigir que os índios tenham uma cultura imutável, que eles não possam se apropriar de elementos exógenos é mantê-los à distância, no tempo e no espaço, é como promover um apartheid. 
(RENATO SZTUTMAN)

Texto retirado de: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/04/29/O-que-%C3%A9-ser-ind%C3%ADgena-no-Brasil-hoje-segundo-3-jovens-e-2-antrop%C3%B3logos