A Guerra do Paraguai foi uma das primeiras guerras da história a ser fotografadas, o que permitiu um maior conhecimento sobre a organização das tropas e das necessidades militares.
O fato de o Brasil ser a única monarquia na América levou seus governantes a aponta-lo como um Estado solitário no continente, cercado de inimigos potenciais. O discurso sobre a solidão do país cumpria a função de fortalecer a unidade nacional brasileira, ao apontar a existência de uma ameaça externa. Daí os temores do Estado monárquico brasileiro quanto a uma poderosa e bem-sucedida república no Sul, na medida em que esta poderia incentivar, por seu sucesso, movimentos republicanos dentro do Brasil, tal como ocorrera durante a Guerra dos Farrapos. Assim, este era o primeiro objetivo da política externa brasileira: impedir o surgimento de um rival poderoso na região do Rio da Prata.
Um vizinho poderoso no Prata, que somente poderia ser a Argentina, era visto pela diplomacia imperial como ameaça à independência do Paraguai e do Uruguai. A existência desses dois Estados era a garantia que os rios platinos não seriam nacionalizados pela Argentina, fato que seria uma ameaça à sua livre navegação. Essa liberdade era essencial ao Rio de Janeiro, para ter acesso por via fluvial ao Mato Grosso, única forma de contato regular dessa província com a capital brasileira. A navegação era feita com barcos que penetravam no estuário do Rio da Prata, subiam pelos rios Paraná e Paraguai, e passavam por Assunção até chegar a Cuiabá. Esse caminho fluvial permaneceu como o meio mais prático para esse contato até a década de 1910, quando foi substituído pela ligação ferroviária entre São Paulo e Mato Grosso. Assim, este era o segundo objetivo da política externa brasileira: garantir a livre navegação nos rios da bacia do Rio da Prata.
O Partido Conservador, que governava o Império no fim da década de 1840, implementou a política, para o Prata, de defesa da integridade territorial do Paraguai e do Uruguai. Com isso, os conservadores buscavam não só garantir a livre navegação, como também evitar a ampliação da fronteira argentino-brasileira, de modo a reduzir os pontos pelos quais os argentinos poderiam promover uma eventual agressão ao Brasil. A ação do Império no Prata foi facilitada pelas lutas internas na Argentina e no Uruguai, que se davam em torno do caráter que os respectivos Estados deveriam assumir.
Retirado e adaptado de: DORATIOTO, Francisco. Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p.27-28.
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